sexta-feira, 9 de março de 2018

Homenagem a um gato de rua

Está é uma homenagem ao gato amarelo que fazia parte da nossa colónia.


Há cerca de três anos, dois gatos amarelos (ou laranja) passaram a frequentar a nossa colónia. Chegaram já adultos, o que me faz querer que vieram atraídos pelas fêmeas da colónia (na altura ainda por castrar) e pela comida. É coincidência aparecerem dois gatos tão parecidos e amarelos num curto espaço de tempo, e ainda por cima não se davam nada bem.


Eram dois machos dominantes e competiam pela colónia. Este gato amarelo era conhecido como o "bom" porque era geralmente pacífico. Já o outro amarelo era o "mau" porque tinha mau temperamento e atacava até as fêmeas na sua busca pela dominância. Passavam os dias nas lutas de gatos e nem sempre paravam pelo nosso terreno, mas na hora de comer faziam questão de cá estar.


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Ambos os gatos passaram por fases más. Suspeito que ambos foram atropelados mais do que uma vez, uma vez que apareciam a mancar e depois lá iam à vida deles, mas recuperavam sempre. Durante as suas guerras chegaram a cegar-se um ao outro por se arranharem nos olhos. E lá tentamos controlar a cicatrização de ambos, quando estavam por cá. Até que finalmente o "mau" ganhou: conseguiu cegar o "bom" por completo. 


Mas isso não o parou. Ele continuou a fazer a sua vida normalmente. Seguia pela berma da estrada à noite, junto às casas e com uma direção muito bem definida. Alguns dias não aparecia na colónia. Isto faz-me querer que algum vizinho também cuidava dele. 


Como temos a casa lotada, também não o podíamos manter no interior. Ele era meigo, mas sempre conheceu uma vida de liberdade e estava habituado ao exterior. Apenas o podíamos ajudar na colónia.


Um dia estava a chegar a casa à noite e vejo-o a socializar com uma gata que abandonaram junto aos caixotes do lixo na minha rua. Ao mesmo tempo, vem um carro em sentido contrário e algo se passa porque o condutor parou após passar pelo gato cego. Mas ele não estava na estrada nem tinha sido atropelado.


Uns segundos depois vejo-o a atravessar a rua confuso sem saber por onde ir. Ser cego ainda piorou a confusão dele. Como não estava na estrada, acho que deve-se ter assustado e batido na lateral do carro que estava a passar. E a partir daí fugiu assutado. Eu parei o carro e fui a correr atrás dele para ver se ele estava bem. Mas ele meteu-se num buraco de drenagem de águas numa rua secundária e apenas pude esperar. No dia seguinte ele apareceu para comer como habitual, não estava magoado.


Há pouco tempo iniciamos a castração dos machos, uma vez que a situação com as fêmeas está controlada (pelo menos até decidirem abandonar outra gata aqui). O amarelo cego também foi a castrar e portou-se muito bem. Mas a felicidade durou pouco, o amarelo morreu esta semana junto aos caixotes do lixo, provavelmente atropelado.


Mesmo sendo um dos gatos da colónia, ficamos muito tristes e sentimos a falta dele. É estranho já não o vermos desajeitado pelo jardim. Mas pelo menos sabemos que o ajudamos a sobreviver nas suas aventuras. Não serás esquecido amarelo "bom".


 

2 comentários:

  1. Oh, coitadinho
    Se pudéssemos, ajudávamos todos e levávamos todos para casa. Mas eles também gostam tanto da sua liberdade...
    Era lindo!
    Beijinho, Joana.

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  2. É tristes quando os nossos esforços são tão poucos, para ajudar tantos animais, infelizmente é impossível salvar todos!
    Por isso acho importante haver um plano de controle e esterilização nos municípios e espero que os hospitais veternários para animais de rua e pessoas que se encontram em situação económica complicada possam tratar devidamente os seus animais.

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O Rafael gosta de peluches