Está é uma homenagem ao gato amarelo que fazia parte da nossa colónia.
Há cerca de três anos, dois gatos amarelos (ou laranja) passaram a frequentar a nossa colónia. Chegaram já adultos, o que me faz querer que vieram atraídos pelas fêmeas da colónia (na altura ainda por castrar) e pela comida. É coincidência aparecerem dois gatos tão parecidos e amarelos num curto espaço de tempo, e ainda por cima não se davam nada bem.
Eram dois machos dominantes e competiam pela colónia. Este gato amarelo era conhecido como o "bom" porque era geralmente pacífico. Já o outro amarelo era o "mau" porque tinha mau temperamento e atacava até as fêmeas na sua busca pela dominância. Passavam os dias nas lutas de gatos e nem sempre paravam pelo nosso terreno, mas na hora de comer faziam questão de cá estar.

Ambos os gatos passaram por fases más. Suspeito que ambos foram atropelados mais do que uma vez, uma vez que apareciam a mancar e depois lá iam à vida deles, mas recuperavam sempre. Durante as suas guerras chegaram a cegar-se um ao outro por se arranharem nos olhos. E lá tentamos controlar a cicatrização de ambos, quando estavam por cá. Até que finalmente o "mau" ganhou: conseguiu cegar o "bom" por completo.
Mas isso não o parou. Ele continuou a fazer a sua vida normalmente. Seguia pela berma da estrada à noite, junto às casas e com uma direção muito bem definida. Alguns dias não aparecia na colónia. Isto faz-me querer que algum vizinho também cuidava dele.
Como temos a casa lotada, também não o podíamos manter no interior. Ele era meigo, mas sempre conheceu uma vida de liberdade e estava habituado ao exterior. Apenas o podíamos ajudar na colónia.
Um dia estava a chegar a casa à noite e vejo-o a socializar com uma gata que abandonaram junto aos caixotes do lixo na minha rua. Ao mesmo tempo, vem um carro em sentido contrário e algo se passa porque o condutor parou após passar pelo gato cego. Mas ele não estava na estrada nem tinha sido atropelado.
Uns segundos depois vejo-o a atravessar a rua confuso sem saber por onde ir. Ser cego ainda piorou a confusão dele. Como não estava na estrada, acho que deve-se ter assustado e batido na lateral do carro que estava a passar. E a partir daí fugiu assutado. Eu parei o carro e fui a correr atrás dele para ver se ele estava bem. Mas ele meteu-se num buraco de drenagem de águas numa rua secundária e apenas pude esperar. No dia seguinte ele apareceu para comer como habitual, não estava magoado.
Há pouco tempo iniciamos a castração dos machos, uma vez que a situação com as fêmeas está controlada (pelo menos até decidirem abandonar outra gata aqui). O amarelo cego também foi a castrar e portou-se muito bem. Mas a felicidade durou pouco, o amarelo morreu esta semana junto aos caixotes do lixo, provavelmente atropelado.
Mesmo sendo um dos gatos da colónia, ficamos muito tristes e sentimos a falta dele. É estranho já não o vermos desajeitado pelo jardim. Mas pelo menos sabemos que o ajudamos a sobreviver nas suas aventuras. Não serás esquecido amarelo "bom".
Oh, coitadinho
ResponderEliminarSe pudéssemos, ajudávamos todos e levávamos todos para casa. Mas eles também gostam tanto da sua liberdade...
Era lindo!
Beijinho, Joana.
É tristes quando os nossos esforços são tão poucos, para ajudar tantos animais, infelizmente é impossível salvar todos!
ResponderEliminarPor isso acho importante haver um plano de controle e esterilização nos municípios e espero que os hospitais veternários para animais de rua e pessoas que se encontram em situação económica complicada possam tratar devidamente os seus animais.