
Quando vi esta notícia, pensei que só poderia ser uma piada.
Infelizmente, não é.
Ao que parece, o objectivo é combater a sobrelotação dos abrigos e canis, e poupar os animais a uma vida inteira, passada nestes espaços, sem uma família.
Assim, todos os animais que, por azar, forem parar a estes abrigos ou canis, que supostamente os deveriam proteger e deles cuidar, e que não sejam adoptados num determinado prazo, serão abatidos.
Pergunto-me eu: Isto não é, também, uma crueldade? Tira-se a vida a um animal, só porque durante aquele tempo ninguém quis ficar com ele? Ainda que um mês, ou um ano depois, até houvesse alguém que o levaria para sua casa?
Voltamos àquela ideia macabra de que os canis ou abrigos são matadouros, locais a evitar e pobres daqueles que forem lá parar, que têm os dias contados.
É injusto.
Os animais não têm culpa.
Culpa, têm aqueles que os abandonam, que os maltratam, que os entregam neste sítios.
Culpa tem quem não assume as responsabilidades pelos seus animais, e quem ainda não conseguiu fazer cumprir as leis como seria de esperar.
Culpa tem quem prefere apostar em soluções condenáveis, em vez de apostar na prevenção.
Culpa têm aqueles que investem rios de dinheiro em coisas que não fazem falta nenhuma, mas não são capazes de criar espaços onde estes animais possam ficar, pelo tempo que for preciso.
Mas os animais? Esses são inocentes.
Inocentes que, por força das circunstâncias, se veem nas mãos e à mercê de quem acha que tem o direito de lhes tirar a vida, por falta de espaço. Por quem acha que pode decidir o seu destino.
Se é justo um animal passar toda uma vida num canil? Não!
Da mesma forma que não é justo uma criança passar a sua vida em orfanatos, sem ninguém que a queira adoptar. E então, só por isso, vai-se matar a criança, para lhe evitar esse "sofrimento". Porque os orfanatos estão a ficar sobrelotados, e é preciso dar lugar a novas crianças, matando as que lá estão há mais tempo?
Vamos matar as pessoas que estão há muito tempo nos hospitais, sem melhorias, porque é preciso dar lugar a quem chega agora e precisa?
Vamos matar os idosos que estão nos lares, porque há cada vez mais idosos, e menos espaço para os acolher, levando à criação de lares ilegais, onde vivem sem condições e dignidade?
O que estão a querer dizer é que, por exemplo, os animais que agora foram salvos do incêndio e estejam em canis, se não forem adoptados, vão ter mesmo como destino a morte?
É esta a lei que protege os animais?
Se temos um direito que é mais punitivo em caso de danos materiais que em dados à vida humana é de esperar que tenha alguma compaixão pela vida animal?
ResponderEliminarAcho que a resposta é óbvia...
Desculpa-me o desabafo.... mas não dou a minha autorização, como contribuinte e já para não dizer mais..., a pagar a estes ditos veterinários, através dos meus impostos, a um abate indiscriminado. Só porque "está aqui à muito tempo e não tem hipóteses de ser adoptado"... ou outra desculpa qualquer não válida.
ResponderEliminarRevoltante
ResponderEliminarAinda é mais triste que está ideia venha dos veterinários, aqueles que estudaram para salvar vidas, mas pelos vistos só salvam as vidas dos que têm donos com dinheiro para pagar as contas.
ResponderEliminarTristeza.
Deviam era de investir o dinheiro em campanhas de esterilização e melhoria dos abrigos.
Como é possível que se anda para trás!?
Revolta-me.
Depois vem dizer que as pessoas defendem mais os animais do que as pessoas! Porque será!? Eles não têm quem os defenda!?
Tao triste...por meia duzia de tostões, condenam-se vidas...
ResponderEliminarTanto terreno ao abandono, a criar condições ideais para propagar incêndios e não há condições para os mais desprotegidos. E com tantos voluntários que ajudariam, de coração...tanta evolução, tecnologia, riqueza e continuamos tão pobres de coração... abraço.
Está a comparar uma criança,idosos e doentes com um animal? Bem vocês de facto são extremistas, eu tenho e sempre tive cães e gatos contudo sim, sou a favor, não há controle de natalidade dos animais, quando têm crias é quase às dezenas, é complicado.
ResponderEliminarQuer que façamos como os chineses e toca lá a come-los, sério???
Se tem lugar para tanto animal, força fique com todos.
Paula Rocha, tem razão. Não se pode comparar os animais aos humanos porque, apesar de neste momento, todos serem considerados seres, os animais são muitas vezes superiores aos humanos.
ResponderEliminarProvavelmente, no extremismo que ainda agora condenou, não percebeu que o que se pede é prevenção, controlo, sanções para quem não cumpre e, com isso, evitar situações de excesso de animais. Se, ainda assim, não for suficiente, criar espaços e condições para os acolher, o tempo que for necessário. Incentivar a adopção. Criar apoios para que as pessoas possam fazê-lo.
E o que me parece que os veterinários propõem é saltar todas estas medidas, optando pela morte dos animais.
O que mais espanta é essa proposta vir daqueles que, supostamente, estudaram anos a fio para salvá-los, para ajudá-los. Ou talvez não... talvez tenha sido mesmo porque os veterinários ganham bem, e têm a vida feita.
ResponderEliminarInfelizmente, se avançarem com esta proposta, não vão precisar do "consentimento" de ninguém para começar a matar.
ResponderEliminarAntes, sempre que ouvíamos falar de um animal que ia para o canil, pensávamos logo "é para abater". Depois, com as mudanças que foram havendo, acreditámos que seria um local seguro. Se estivesse um cão perdido, se calhar até ligávamos para o canil o vir recolher. Agora, mais vale deixá-lo na rua, vivo, do que no canil, para morrer.
Sim, os animais não podem dizer se querem viver 10/15 anos num canil, ou se preferem a morte a essa vida.
ResponderEliminarE esta medida pode levar a outro ponto: para não serem acusados de andar a matar animais, quando os deveriam salvar, deixar que qualquer pessoa adopte, ainda que não seja o melhor dono.
Mesmo!
ResponderEliminarNão será isto, também, uma forma de maus tratos. Onde ficam os direitos dos animais agora?
Para isso, não há dinheiro
ResponderEliminarOs animais não têm quem os defenda, mas merecem mais ser defendidos que certas pessoas.
Concordo plenamente.
ResponderEliminarMas quem pode não está interessado nesse tipo de investimento, que não gera qualquer lucro.
Ainda há um longo caminho a percorrer no que respeita aos direitos dos animais mas, com medidas como esta, são passos para trás, que nunca levarão à meta, nem a chegar sequer lá perto.
ResponderEliminarOs veterinários melhor que ninguém sabem o que dizem, sim há pessoas piores que os animais e agora o que vamos fazer, matar essas pessoas?
ResponderEliminarSe há quem não queira adotar , que quer fazer obrigar?
Quanto às crianças nas instituições, quando adotei a minha filha a minha vontade era trazer todos comigo mas não posso certo?
Logo tiveram que lá ficar para grande tristeza minha, mas ficaram bem entregues
Quando a lei da proibição foi aprovada, eu pensei que esta situação fosse acontecer. Por outro lado, sou contra este tipo de eutanásia. Isto é só matar porque sim.
ResponderEliminarConcordo completamente com o teu comentário dos orfanatos e das crianças. Para mim, não há muita diferença entre um animal e uma pessoa. Aliás, gosto mais de alguns animais do que certas pessoas.
A solução tem que passar pelo controlo, pela esterilização.
Nem todas as pessoas têm condições ou disponibilidade para adoptar um animal. Portanto, não sei se os apoios à adopção serão muito eficazes.
Penso que se devem esgotar todas as hipóteses, antes de se pensar na eutanásia.
ResponderEliminarE há muita coisa que é preciso mudar.
Claro que, como em tudo na vida, nada é 100% eficaz, e o mundo não se torna perfeito num estalar de dedos.
Mas esta medida faz sentir que estamos a retroceder, em vez de avançar.
Paula, como vê, até estamos de acordo. Quando diz que adoptou a sua filha e que, apesar de não poder, a sua vontade era levar todos. E que ficou triste, mas sabia que ficariam bem entregues.
ResponderEliminarÉ também isso que queremos para os animais - não os podendo nós adoptar a todos, saber que ficam bem entregues, até que alguém o possa ou queira fazer, sem os condenar à morte.
Não estamos de todo de acordo, eu falo de crianças e a Marta fala de animais, não comparemos.
ResponderEliminarTal como disse sempre tive animais sempre, chorei pela morte de todos eles mas uma cadela dá à luz até doze bebés a mulher até à data e se não me engano, 5 e são casos excepcionais, não comparemos, haja bom senso.
Comparar idosos com animais parece-me de muito mau gosto...
ResponderEliminarNão há capacidade para manter nos canis municipais, devidamente tratados e alimentados, todos os animais errantes durante dez ou quinze anos. Tanto assim é que depois assistimos a cenas patéticas como as da última semana. Onde, diga-se, o único crime visível é a destruição de património. Mas, como está documentado em vídeo, o prevaricador será facilmente condenado.
De resto o que estes cavalheiros agora defendem publicamente será - presumo - aquilo que já farão em privado. Se não fizerem eles, fará a população por outras formas. Erradas, sem dúvida, mas quando a lei não serve ao povo, o povo não a cumpre.
Respeito a sua opinião.
ResponderEliminarMas olhe que a comparação não será de todo, descabida. Somos um país com uma população cada vez mais envelhecida, e começam a existir muitos lares ilegais, onde os mesmos são depositados, sem quaisquer condições. Não existem muitas leis que os protejam. Por vezes parece-me, até, que, o governo ficaria muito mais feliz se essa faixa da população desaparecesse.
E, em muitos países, a eutanásia é uma prática cada vez mais comum e sob os mais variados pretextos, incluindo, poderem os equipamentos, máquinas e afins ser utilizados por quem precisa mais, e ainda tem hipóteses de viver.
Até mesmo com esta situação do Covid, em caso de escolha, para utilização dos ventiladores, os idosos seriam descartados, se fosse necessário.
Tal como não será, de todo, descabido comparar o abate de animais, com crianças. Afinal, em determinados países já se faz o controlo da natalidade, já se impõe um limite ao número de filhos, e se matam crianças que nasçam sem permissão para tal.
Continuo a afirmar que as soluções devem passar, pela prevenção. Como já percebemos, além de cruel, o abate, nos anos em que foi permitido, não teve os resultados desejados. Matam-se 50, mas nascem 100. Porque, lá está, o problema tem que ser resolvido na raiz. E ainda há muita gente a achar que ter ninhadas é muito giro, que animais adultos não têm piada e já não se podem "educar", que abandonam sem ser penalizados, que não têm noção do que é adoptar um animal e as responsabilidades que isso acarreta e, também, quem até queira adoptar mas não consiga, por falta de condições e apoios.
Este texto expressa o seu ponto de vista. Não concordo minimamente com a comparação de um cão/gato com uma criança, mas onde, para mim, o texto falha é que apresenta zero soluções. Não quer que se faça a eutanásia de animais por força de melhoria das condições de vida para todos, eu respeito isso e concordo, mas não apresenta qualquer solução...
ResponderEliminarIncrível. Noticia que é um retrocesso.
ResponderEliminarSou contra o abate. Quando a lei da proibição de abater foi aprovado, pensei logo que as entregas aos canis iam aumentar porque as pessoas assim nem sentem remorsos. O governo aprovou a lei sem outras medidas , e esperam que os veterinários resolvam o problema do excesso de animais sozinhos. Deviam querer que os veterinarios levassem os animais para casa.
ResponderEliminarDurante décadas o governo e as autarquias não fizeram nada para resolver o problema, deviam fazer campanhas de esterelização. A verdade é que não há famílias para todos os animais. Não acredito que os veterinários gostam de abater porque sim, que soluções é que há para a falta de espaço? Nos canis numa semana são adotados 3 mas são entregues 10, abandonam à porta de clinicas veterinárias e associações cães e gatos, em abrigos estão cães há anos à espera de uma familia. E com a covid 19 o numero de animais abandonados aumentou porque as pessoas não tem dinheiro. Este problema é complexo.
Concordo. O problema já toda a gente sabe que existe, mas nunca se aplicou soluções eficazes e voltamos sempre ao mesmo ciclo vicioso: abandono -> excesso de animais -> abater ou não abater? -> culpar os veterinários ->dizer que "esterilizar é a solução" -> não se faz nada -> abandono -> excesso de animais...
ResponderEliminarSe as pessoas fossem diferentes tudo era melhor, para animais e a sociedade. Há muito que evoluir. As mentalidades das pessoas são uma tristeza...
ResponderEliminarMuito crimes se cometem contra animais, coisas que não passam para fora. As pessoas são o problema e as suas mentalidades. Se houvesse boa educação familiar, tudo seria melhor, neste mundo. Eu com 43 anos cada vez mais sou contra as pessoas por tudo o que já passei na vida e os animais sempre me deram amor coisa que muita gente não sabe nem quer saber. Assim não matem animais por favor!!!!