
Se é certo que, algumas vezes, os médicos dão-nos demasiada informação que até dispensaríamos, sobretudo quando falam em termos médicos que só eles percebem, também é verdade que, muitas vezes, pecam por escassez de informação, talvez porque achem que, para quem está do outro lado, basta saber que tem um problema e como deve tratá-lo.
O que acontece, e por certo já o fizemos algumas vezes, é que, na dúvida, na incerteza, temos tendência a procurar a informação que nos falta (e que não nos foi dada), noutras fontes, nem sempre fidedignas, correctas, algumas vezes confusas e, até, alarmantes, que nos desassossegam e fazem imaginar vários cenários, cada um mais grave que o outro ou, por outro lado, desvalorizar as situações, compará-las com outras semelhantes, considerar que é algo com o qual não é preciso haver grande preocupação.
Assim, é essencial que haja uma boa comunicação entre médico veterinário e o dono do animal que está a ser consultado, de forma a evitar estas situações que, em último caso, serão prejudiciais ao animal.
Eu considero que, da parte dos médicos veterinários, devem:
- na consulta, ao examinar o animal, ir explicando aos donos o que estão a fazer, e porque o estão a fazer, o que estão a avaliar
- quando solicitam ou aconselham análises, explicar o que se pretende descobrir com as mesmas, e de que forma serão feitas; no caso de existirem vários métodos, explicar cada um deles e deixar que o dono decida a que considerar melhor
- quando têm na sua posse os resultados de análises ou exames, explicar aos donos o que foi detectado nos mesmos, ou enviar para os donos, com a respectiva explicação porque, se os donos apenas recebem as análises/ exames, sem qualquer outra informação, é mais que certo que a vão tentar obter por outros meios, nem sempre certos, quando poderia ficar tudo esclarecido no momento
- quando receitam um determinado medicamento, explicar para que serve o mesmo, se existem opções equivalentes à disposição, vantagens e desvantagens, se as houver
- explicar, em concreto, em que consiste o problema do animal, e que preocupações/ cuidados devemos ter em consideração quer no tratamento, quer na prevenção de futuras situações semelhantes
Já da parte dos donos:
- não devem ter receio de colocar todas as questões que acharem pertinentes, ou necessárias para compreender o que se passa com o animal, durante a consulta
- não devem ter receio de colocar as dúvidas que tiverem, porque é preferível esclarecê-las com quem sabe, e observou o animal
- se não estão a compreender o que o médico veterinário está a explicar, pedir para explicar novamente - por vezes eles entusiasmam-se e começam a falar em termos que só os entendidos compreendem, e esquecem-se que, quem ali está, pode não perceber dessa forma o que lhes está a tentar transmitir
- se acharem que o médico veterinário não fez tudo o que consideraram necessário na consulta, peçam para que este faça o que têm em mente, seja uma simples medição de peso, observação de algo que o médico não viu, ou até mesmo uma análise ou exame
- quando são prescritos medicamentos, exames ou análises, e se acharem que não sabem bem porque são necessários, mais uma vez, perguntem, vejam se existem alternativas igualmente viáveis
- em caso de dúvidas que surjam já em casa, não hesitem em ligar para a clínica/ hospital para tentar esclarecê-las
- os veterinários zelam sempre pelo bem estar do nosso animal (ou deveriam) e, como tal, é normal que aconselhem vacinas, rações especiais, produtos inovadores que podem ser bons para os animais, e igualmente bons, a nível de lucro, para a clínica/ hospital, mas que nem sempre os donos têm condições para adquirir, por isso, é necessário que estabeleçam prioridades, que se fiquem pelo mais urgente e necessário, sem se deixarem influenciar pelo "marketing" a que são sujeitos
- Se não estiverem, de todo, satisfeitos com a forma como os vossos animais foram atendidos/ tratados, com os métodos usados pelo médico veterinário ou procedimentos da clínica/ hospital, se ainda assim têm dúvidas acerca do diagnóstico, tentem procurar outros profissionais, obter uma segunda opinião e, em último caso, mudar de clínica/ hospital
E por aí?
Gostariam de acrescentar mais alguns pontos fundamentais para uma boa comunicação, um bom atendimento, e satisfação total de todas as partes envolvidas?
Imagem: veterinaria atual
Eu por mim falo. O Jonas quase sempre que vem do Veterinário vem se a cousar. É, é limpo só que na entrada é uma só e também é sala de espera. Ás vezes estão lá sentados com os seus "bijous", claro que os gatos estão nas casotas, à espera que os chamem. A balança está colocada lá quando se vai para os "gabinetes". Este falatório todo para recomendar ou alertar para a higiene que há aí. Bom fim-de-semana.
ResponderEliminarPenso que abordas-te de forma concreta e objectiva o tema. Uma boa anmnese (conversa entre profissional e tutor) é meio caminho para um bom diagnóstico, com ambas as partes estarem esclarecidas. Se há duvidas, o melhor é esclarece-las com o profissional.
ResponderEliminarNo meu caso... e depois de anteriores experiências, optei por os meus serem seguidos aonde os levo. É certo que é um hospital... só para gatos. E que isso muda logo a forma como o gato é visto. Afinal é um espaço dedicado só a eles. São seguidos por uma veterinária. Mas já aconteceu ter de ir de urgência e não sendo ela, ter sido "atendida" por outros profissionais e o protocolo usado por todos é o mesmo. Antes ou durante a dita observação do animal, há uma conversa detalhada sobre o que levou o gato à consulta. Explicam os passos que pretendem dar, se estamos de acordo, ou melhor, se podemos (€€s). Tratam o animal como se deles fosse, com o máximo carinho, atenção e fazem tudo o que está ao alcance deles para melhorar ou restabelecer a sua qualidade de vida. Mesmo quando infelizmente, mais nada há a fazer.
Gosto muito do Dr. Miguel! Ele é sempre cuidadoso a examinar a Fénix e o Puma e tem o cuidado de explicar porque o está fazer.
ResponderEliminarA Tica foi atendida uma vez por causa de uma infecção urinária numa clínica aqui da zona, e foi lá que fomos no momento da esterilização, sendo que para isso a levaram para a clínica de outra zona, porque era lá que faziam as cirurgias. E foi esse mesmo veterinário que, mais tarde, haveria de ir lá a casa confirmar que ela estava mesmo morta, e tratar da cremação. Embora directo, senti que era muito frio quando falava dos animais, naqueles momentos em que nós precisávamos de apoio, ele era prático e despachado. Depois, com a Becas e a Amora, decidimos experimentar o Hospital Veterinário. Era só uma consulta, mas acabou por ser internamentos, luta pela vida, exames e análises, estudo dos problemas de saúde, vacinas, alimentação. No início, acho que passaram por quase todos os médicos que por lá havia! Mas foi com o Dr. Daniel e, mais tarde, com o Dr. Ricardo, que depositámos maior confiança, ainda que nem sempre concordando com os seus diagnósticos, e nem sempre seguindo as suas sugestões.
ResponderEliminarSim, é caro. Não é para todas as carteiras e, provavelmente, há clínicas aqui a cobrarem menos. Mas o atendimento e a forma como cuidam dos animais, compensa tudo.
Eu por aqui recomendo sempre o Dr. Ricardo. No entanto, da última vez que lá fomos, e porque achava que a Becas tinha algum problema nas patas, que poderia ser a nível neurológico (o RX não acusou nada) queria fazer umas análises e exames especiais, e caros, para despiste. Disse-lhe que ia pensar no assunto. Mas achei que não valia a pena.
ResponderEliminarLembro-me que a primeira vez que viu a Amora, fez-lhe vários testes de reflexos e outros, e ia sempre explicando o que estava a fazer e o que pretendia ver com isso. A Amora, devido ao seu problema, que não aparece muitas vezes por lá, gera sempre curiosidade e vontade de estudarem mais sobre o assunto.
É quase como nos hospitais humanos. Por vezes saímos de lá mais doentes do que entramos. Também haverá clínicas e hospitais veterinários com melhores condições que outros, e todos os níveis. Mas se não gostarmos, só lá vamos uma vez, e não voltamos mais.
ResponderEliminarMas eu gosto do meu vet, estou só a alertar para isso. Bom fim-de-semana.
ResponderEliminarPor acaso em relação a este episódio com o Rafael, falhou qualquer coisa, porque não disseram logo o diagnóstico no momento que enviaram o resultado da análise.
ResponderEliminarE agora uma pessoa amiga disse-me "mas disseram-te para repetires a análise daqui a um mês?" E a minha resposta foi "não"!
Será que o normal é repetir ou o normal é terem a certeza que nem vale a pena porque o problema fica resolvido!?
No caso dos humanos, uma semana depois de terminar o antibiótico, devemos fazer análise à urina. Provavelmente, nos animais, também se aplica.
ResponderEliminar