sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Ainda não cheguei a esse ponto...

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...nem sei se algum dia conseguirei.


 


 


Por muito que sejamos apaixonados pelos animais e queiramos vê-los bem, ou ajudá-los quando precisam, nem sempre conseguimos estar lá para todos.


Os veterinários sabem disso, as associações sabem disso, algumas pessoas que lidam com os animais sabem disso. E, com o tempo, vão ficando vacinadas contra o choque, a tristeza, a impotência, a frustração... Não é que não o sintam, mas conseguem ultrapassar mais facilmente porque, afinal, não podem fazer mais nada e existem outros à espera.


Algumas pessoas conseguem passar pelas situações, observando, agindo e seguindo em frente, sem se deixarem afectar muito porque, se fossem desesperar e cair em lágrimas sempre que algo de pior acontece, estariam apenas a prejudicar a sua saúde mental.


 


 


Eu ainda não consegui chegar a esse ponto. Ainda me deixo afectar facilmente. Ainda sofro com a má sorte dos animais que vou encontrando ou conhecendo nesta vida. A fonte ainda está longe de secar.


Hoje, quando ia com a minha filha para a escola, deparámo-nos com um gato morto na estrada. Os carros desviavam-se para a outra faixa, para não passarem por cima. Não era nenhum dos meus afilhados. Não conhecia o gato, nunca o tinha visto na vida.


Mas fez-me imensa impressão. Alguém o atropelou, e seguiu em frente. Estava cheio de sangue.


 


 


Deixei a minha filha na escola, e voltei pelo mesmo caminho, para casa. O trânsito aquela hora é terrível, porque os pais vão levar os filhos à escola. A continuar ali na estrada, involuntariamente, o gato poderia provocar algum acidente. Passaram várias pessoas que, como eu, olharam e seguiram caminho. Mas não consegui deixá-lo ali.


Aproveitei que não vinham carros naquela faixa e peguei no gato, levando-o para o passeio. O corpo não estava rígido, o que significa que tinha sido atropelado há pouco tempo. O pelo estava cheio de salpicos de sangue, e nem vale a pena descrever como estava a cabeça dele.


Entretanto liguei para a protecção civil, que me encaminhou para o canil, para fazer a recolha do animal.


 


 


Talvez chegue o dia em que em consiga fazer tudo isto e voltar à minha vida, sem me chocar, sem chorar, sem me preocupar muito porque não havia nada que eu pudesse fazer.


Mas hoje, a imagem não me sai da cabeça, e é sempre difícil esquecer todas as imagens que se vão juntando ao longo do tempo.


 

6 comentários:

  1. Nem sei o que lhe possa dizer, mas, você é uma pessoa de coragem.

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  2. Se calhar noutros tempos teria deixado ele na estrada, esperando que alguém que não eu o tirasse de lá.
    Não lhe chamaria coragem, mas talvez mais sensibilidade.

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  3. Quem atinge o animal, devia no mínimo fazer o que fizeste!

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  4. Ou não se apercebeu sequer do que fez, ou não quis estar a parar, para não perder tempo, e engarrafar o trânsito.
    Entretanto a minha filha passou lá agora ao almoço e já o recolheram.

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  5. No caminho pro trabalho, uma via rápida, encontro muitas vezes animais mortos na estrada. É muito triste...
    Tiveste muita coragem

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  6. Aí seria impensável tirar o animal da estrada. Aqui, como é uma estrada calma, consegui.

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O Rafael gosta de peluches