segunda-feira, 18 de junho de 2018

Kikas - Chorar a morte de um gato que não é nosso

Foto de Clube de Gatos do Sapo.


 


Se há dias estava feliz com o nascimento dos pequenitos da Bela, na colónia, hoje é um dia triste, em que tive a confirmação daquilo que já suspeitava: a partida da Kikas deste mundo.


Há semanas que não a via e, embora uma ténue esperança me fizesse crer que a poderiam ter dado a alguém ou, simplesmente, tinham decidido mantê-la em casa, algo me dizia que isso era pouco provável.


Hoje vi o meu vizinho, e perguntei-lhe. 


"A Kikas já se foi...Agora temos outro, vamos ver como é que corre."


Nem ouvi bem o resto. Parece-me que foi a filha de um vizinho, dono do Branquinho, que a viu e lhes disse.


 


 


Foto de Clube de Gatos do Sapo.


 


A Kikas não era nossa mas, o que estou a sentir neste momento, é muito parecido com o que senti quando a Tica morreu.


Se alguém duvida que possamos chorar a morte de um gato que não é nosso, acreditem que é possível, sim!


Já me tinha sentido triste com a morte da Flockita, ou da Nala, que nunca tinha visto.


Hoje, choro a morte da Kikas, a "nossa" menina das pantufas brancas, voz única, e personalidade tão especial, que todos os dias ia à nossa porta, num apelo não só por comida, mas também por ajuda que, infelizmente, nunca pudemos dar.


Tantas vezes pensámos em ficar com ela, em tirá-la da rua. Mas não era nossa. Tinha donos. Tantas vezes a fomos entregar aos donos, para que a colocassem em casa. Mas eles deixavam-na ir à rua novamente.


Tantas vezes ela miava à nossa porta, mesmo de madrugada. Tantas vezes a vimos à chuva, toda molhada, a querer um abrigo.


Aliás, essa foi a última vez em que a vi...


Tantas vezes andava com o Branquinho ali pelo quintal, ora a namorar, ora à patada um ao outro. 


Nada disso voltará a acontecer...


O Branquinho ficou sem a namorada. Anda triste e melancólico. Em risco de seguir o mesmo caminho. Mas tem donos...e não podemos fazer nada.


Nós, ficámos sem uma amiga.


 


 


 


Foto de Clube de Gatos do Sapo.


 


Lembro-me da primeira vez que a vi, ainda no quintal dos vizinhos, empoleirada no muro. E da vez em que ralhei com uns miúdos que lhe queriam bater com um pau. Ou das vezes em que ela se punha à porta,a defender o seu prato de ração, para mais ninguém lhe tocar!


A Kikas era extremamente ágil, uma macaquita, mas de andar silencioso e elegante. Era uma lady, que fazia os machos esperar que ela se servisse. Uma gata simpática e meiga, que só queria mimos, como os que lhe dei no outro dia. E agradecida! Como daquela vez em que apanhou uma lagartixa, e insistiu em colocá-la aos meus pés!


São momentos que guardaremos para sempre, que não se esquecem, e que marcam quem gosta dos animais. E é por isso que, quando partem, mesmo não sendo nossos, sentimos e choramos como se fossem. Porque, no fundo, são um bocadinho de todos os que partilharam, na sua vida, algum momento com eles.


 


Esta é uma homenagem para ti, Kikas! Continua a brilhar, onde quer que estejas!


E perdoa-nos por não termos feito mais por ti 


 


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4 comentários:

  1. Oh. Pobre Kikas. Bem tu já tinhas estranhado a ausência dela. Tadinha. Custou-te mais a ti do que aos donos, que pelos vistos já arranjaram outro - nada contra, apenas gostaria que o tratassem melhor.
    Do que terá ela morrido?
    Nós afeiçoamo-nos facilmente e depois sentimos fortemente as perdas.
    Mais uma estrelinha do clube.

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  2. Olá Marta, mesmo não conhecendo pessoalmente, mas vendo e lendo todas as historias, fiquei tão triste, que até chorei. Donos iguais a Kikas não deveriam poder ter mais gatos. Quem diz que é dono de gatos têm que os proteger. Mais uma estrelinha.

    Filomena Pinto

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  3. A Kikas era quase da casa :) Só não dormia lá. Era difícil não nos afeiçoarmos a ela. Nunca pensei que partisse tão cedo. Ainda imaginei ela a ser mamã, daqui a uns tempos, filhos do Branquinho.
    A nossa questão, para além da financeira, era sempre: vamos ajudar, prejudicando as nossas? Tanto a Kikas como o Branquinho precisariam de uma quarentena, antes de os podermos juntar às nossas. Isso implicava vacinas, desparasitação, esterilização/ castração, tempo e espaço. E não sei até que ponto, estando há dois anos habituadas as duas, não lhes afectaria, sobretudo à Amora, outros gatos em casa.
    E se fosse fazer isso com todos...
    Espero que não cometam o mesmo erro com o novo gato.

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  4. Há pessoas que acham que os gatos são felizes a dar as suas voltinhas, porque depois voltam. Já me disseram tantas vezes para deixar as minhas irem à rua. Para quê? Para depois morrerem? Não, obrigada!
    Nem sempre voltam. Nem sempre têm essa hipótese.
    A Kikas Maria, como lhe chamávamos, sempre que nos via a chegar ia ter connosco. Se tivesse fome, não hesitava a miar-nos à porta, com aquela sua voz rouca que já sabíamos de quem era, nem que fosse 1 da manhã. Punha-se à nossa janela, a espreitar ou a chamar. Andava por lá enrolada com o gato do outro vizinho, e era uma delícia vê-los sempre juntos. Se nos descuidássemos, entrava-nos pela porta dentro, direitinha à ração das nossas bichanas! Depois de um dia em que andava a estender roupa e fartei-me de lhe fazer festinhas na barriga, vi-a uma última vez, num dia de chuva forte, toda ensopada. Deve ter morrido nesse dia, ou no seguinte :(

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O Rafael gosta de peluches