quinta-feira, 17 de maio de 2018

Esperar pela morte de alguém que amamos

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Tenho acompanhado a situação da Mia, uma das felinas da Fátima, e não poderia deixar de escrever este post.


Já vivi, na minha vida, duas experiências distintas, e nenhuma delas me preparou para aquela, que é a única coisa que todos os seres vivos têm, de mais certo, na vida: a morte.


 


 


Quando a Tica morreu, numa fracção de segundos, sem qualquer sinal de que isso poderia acontecer, uma das frases que mais ouvimos foi "Pelo menos não sofreu, não esteve dias e dias doente, a definhar mais a cada um deles, com vocês a assistirem, sem poderem fazer nada. Foi melhor assim."


Melhor, seria, como é óbvio, ela continuar entre nós. Mas, talvez tenha sido, de certa forma, menos penoso assim. Talvez...


 


Com a Fofinha foi diferente. Ela estava doente. Nós sabíamos que ela estava doente. E que, mais cedo ou mais tarde, partiria. Mas tínhamos sempre a esperança de que aquele tumor desaparecesse por magia, e ela voltasse ao normal. Nessa altura o meu pai ponderou a eutanásia. Não foi necessária. Ela acabou por morrer naturalmente. 


Ah e tal "Foi melhor assim, pelo menos acabou-se o sofrimento para ela.".


É verdade, mas preferia que tivesse acabado com ela viva e bem de saúde.


 


Em ambos os casos, quis acreditar que tinham partido, para ceder o seu lugar a outros seres. No caso da Fofinha, à minha filha, que nasceu cerca de ano e meio depois. No caso da Tica, à adopção das duas meninas que hoje temos, e a toda uma missão em prol da defesa e protecção dos animais.


 


 


A Mia, a gatinha da Fátima, está numa situação diferente, e que não deixa de ser curiosa.


Embora não pareça sentir dores, desconforto, apatia, nem qualquer outro sintoma que leve a considerar que está em sofrimento, a verdade é que, como pouco se alimenta, tem vindo a emagrecer a cada dia, transformando-a em pouco mais que pelo e osso.


E é essa a única manifestação visível que apresenta. E os mimos e atenção que pede cada vez mais à Fátima!


Neste momento, a Mia está numa espécie de estabilização: não piora, mas também não melhora. O que torna ainda mais incerto o seu futuro.


 


Uma coisa é certa, ela parece estar a lutar, à sua maneira, para ficar o máximo de tempo que conseguir nesta vida. Como que a dizer que ainda não completou a sua missão. Que a sua presença ainda é necessária, e não está na sua hora.


 


Já para a Fátima e restante família, não deverá ser fácil. Sempre a desejar o melhor, mas a esperar o pior. A querer acreditar que tudo vai correr bem, mas sempre de pé atrás, não vá o destino pregar uma partida.


 


 


 


Como é que vive quem espera pela morte daqueles que ama?


Só tem três hipóteses.


Ou ignora, fazendo de conta que nada se passa.


Ou resigna-se, deixando-se levar pela tristeza de saber que, mais dia, menos dia, não os terá mais perto de si, desistindo da luta.


Ou encara a situação de frente, e luta com as armas que tem, por aqueles que, também eles, estão a lutar. A Fátima pertence, sem dúvida, a este último grupo.


É sempre uma vida levada com o coração nas mãos, apertadinho, ora a querer sair pela boca, ora a encolher-se dentro do peito. É uma montanha russa de emoções, consoante há uma leve melhoria, ou um dia mais complicado.


É um permanente desassossego e inquietação, pelo que poderá ou não acontecer na sua ausência. Se for preciso, e não estiver lá. 


Mas há algo que nunca falha: o amor, o carinho, a atenção, os mimos, a dedicação, a disponibilidade, a presença constante. E isso pode fazer muito!


 


 


 


Como é que alguém se prepara para a sua partida desta vida?


Acho que não existe preparação possível.


Estejamos a contar ou não, sabendo de antemão ou não, resignando-nos ou não, lutando ou não, a dor que sentimos, quando acontece, é sempre a mesma. Tal como a revolta, a frustração, a tristeza, as saudades.


Não podendo mudar nada disso, resta fazer aquilo que queremos e podemos, por aqueles que ainda cá estão connosco, enquanto nos for permitido!


 


O Clube de Gatos envia aqui muita energia positiva, para recarregar as baterias à Mia, para que continue a sua luta, e todo o apoio à Fátima, que precisa dele para continuar a viver esta fase sem perder a força que a caracteriza.


 


Imagem surrupiada à Fátima 


 


 


 

9 comentários:

  1. Muito obrigada, Marta! Estou de lágrima ao canto do olho...

    Hoje a Mia está vivaça. Saí para Lisboa sem tanto medo... já comeu, já bebeu, e até foi para a marquise apanhar sol! Quando saí, lá ficou a olhar para mim com cara de gato das botas, mas senti-a mais firme.

    Hoje tem sido um dia bom; amanhã logo se vê!

    Obrgada mais uma vez! E fizeste bem em roubar a foto, é um mimo vê-la aqui!

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  2. Fátima, a Mia é a versão feminina do meu Puma! Lamento, profundamente saber que ela esta a sofrer e o vosso sentimento de impotência. Força.

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  3. Queria deixar energias positivas pra Mia e um beijinho pra Fátima...
    Não é nada justo os bichanos estarem doentes...

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  4. Um dia de cada vez, e que sejam mais os bons, que os sombrios!
    A Mia é uma guerreira
    E eu, tenho uma tendência nata para escrever sobre o drama

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  5. Obrigada Sofia. Hoje o dia começou bem, ela comeu o pequeno almoço, e está aqui a roneonar mais alto sobre o meu peito...

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  6. Fátima!
    Queria deixar-lhe um grande beijinho e muita força!
    Sei pelo que passa...
    Fazemos tudo o que está ao nosso alcance por eles. Vivemos um dia de cada vez... uma hora de cada vez...
    A minha Ritinha infelizmente também me adoeceu e no espaço de uma semana... partiu... vai fazer próximo dia 29 dois meses...

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  7. “O Universo é um local sem paredes” – Miguel Torga

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  8. Sabendo nós o que nos espera, e para os nossos animais também, nunca ninguém espera aqueles breves segundos que nos dão a notícias.
    É triste, mas temos de aceitar.
    Desejo, de coração, que a pouco e pouco ela melhore e da minha parte, um bocadinho do meu coração está com a Mia e a Fátima..

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  9. Há uns tempos, anos ...eu não me imaginava numa casa a viver com gatos. Até que, uma amiga minha tinha uma gata que teve filhotes e me perguntou se eu, por favor, poderia ficar com um deles pois não sabia o que fazer. Calhou de ser próximo do dia de aniversário da minha irmã, então decidi que ela fosse à casa da minha amiga e trouxesse o gato com o qual sentisse mais afinidade. Batizamos de "boo", diminuitivo de "ma boo" - meu amor. Depois deste, num dia de família, ouvi um miar de gato muito triste e procurei, quando dei conta, lá estava ele, a olhar para mim e permiti que saltasse para o meu colo. Nunca mais nos largamos. Cheirava a mentol :)
    Agora vivo com o meu namorado, depois de tanto estar habituada a um animal em casa, claro que não demorou para adotarmos o nosso primeiro bebe em comum. Chama-se "pisquinho" - pois ele troca os olhos :) :)
    Isto tudo, para partilhar que nunca senti a perda de algum deles, mas que também não consigo imaginar tamanha dor, é um facto. Nem mesmo saber que estejam em sofrimento. Espero nunca passar por isso, apesar de que, sabemos que tanto a nossa certeza na vida, como na vida dos nossos animais, é a morte. Um beijo enorme a todas que por esta dor passam e um abraço apertado com muito carinho.

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O Rafael gosta de peluches