
Quinta-feira de manhã, parti de Braga em direcção a Vila Franca de Xira para entregar os dois gatinhos à família que muito ansiava por eles.
Custou-me de mais tirá-los da mãe.
Mal meti a gatinha na caixa transportadora, fiquei de coração triste, ela miava muito.
Um dos gatos pretos estava encostado à mãe gata, não sabia se era este o macho ou a fêmea, peguei nele, para ver se era o macho, fiquei na dúvida porque o pêlo preto enconbria a seu orgão genital, eis que o meu cunhado apareceu da sua caminhada matinal, pedi que segurasse nele enquanto eu pegava no outro, que fugia de mim, para ter a certeza de que levava o gatinho adoptado.
Era, sim, o macho que estava com a mãe ( parecia que estava a despedir-se da mãe) meti-o na caixa. Miavam imenso, doía-me o coração tirá-los à mãe.
A gatinha encostou-se, assustada, ao canto da caixa, o gato preto, olhos bem abertos, estava mais tranquilo. Ia falando com eles, os meus dedos serenamente batiam no tampo da caixa para os sossegar.
Segui para a estação, no carro não paravam de miar.
Mal entrei nela, ainda faltavam 30 minutos para o comboio partir, um casal de brasileiros viram a caixa transportadora
"ui, que lindos gatchinhos! para onde vão seus gatchinhos?!" Expliquei que iam viajar até perto de Lisboa, que iam ter uma bonita família, que eles tinham mais três irmãos que ficaram com a mãe gata. Mais uns minutos de conversa, uma boa viagem, "Deus te acompanhe", foram as palavras que me agradaram ouvir. Eu estava muito, mas muito preocupada com esta viagem que na minha ideia ia ser complicada.
Fui tomar café, todas as pessoas que estavam por ali olhavam a caixa.
Enquanto esperava a hora de entrar para o comboio falava com eles, abria a porta e dava um jeito ao resguardo absorvente, à taça da água, à ração que eles não lhes tocaram em todo o percurso.
Entramos no comboio, voltaram os mios.
A caixa ocupava todo o meu espaço dos meus pés, o comboio partiu, os gatinhos sossegaram. Até ao Porto, sem ninguém no lugar ao lado, eu ia espreitando-os. A gatinha continuava na mesma posição, nunca levantou a cabeça, estava assustada. O gato, de olho aberto, estava bem.
Foram 3h30 de viagem, que ninguém os ouviu. E eu fiquei tranquila.
Quando parou em Vila Franca de Xira e a jovem estrangeira que viajava ao meu lado se levantou para eu poder sair, senti que o cheiro a cocó que saía da caixa era intenso.
Mal saí do comboio, espreitei a caixa. O resguardo estava sujo e molhado, não da água, que estava intacta, mas de xixi e cocó da gatinha que, com o susto e o medo, não se controlou.
A H veio ter comigo, abraçamo-nos como se nos conhecessemos há muito tempo, foi um momento lindo.
Fomos imediatamente para casa, os filhos estavam à espera de ver os bebés. O gatinho estava inpecável, a gatinha tinha o pêlo sujo.

A H, foi dar-lhe um banho. A gatinha deixou, e ficou mais calma naquele banho tão bom.

Depois de secar, foi desfrutar do espaço que é deles.


Entraram na sua casinha, era vê-los com algum receio porque não era o seu anterior espaço, mas de um conforto único.

Saímos de casa, fomos tomar café, uma conversa sobre nós, quase nem dávamos pela hora do comboio da minha viagem de regresso.
A H teve a ideia de irmos a pé, até à estação, pela via pedonal junto ao Tejo.
Foi, sem dúvida, pouco mais de uma hora que estivemos juntas, mas fiquei muito feliz por que percebi que os gatinhos vão ser muito acarinhados nesta família, e que a H ficou grata por ter oferecido dois belos felinos que vão ser a alegria da sua família.
Entretanto, já recebi vídeos dos dois bebés. Eles estão muito, muito bem.
Obrigada H, foi um raio de sol que entrou na vida destes dois gatinhos.
É de louvar o que a Maria fez por estes felinos. Uma viagem longa. No comboio deixaram levar a transportadora ao pé de si?
ResponderEliminarAinda bem que eles ficaram bem
Sim, Anabela, até porque não há espaço específico para animais.
ResponderEliminarSabia que é possível os animais viajarem connosco, mas para tirar dúvidas, perguntei na bilheteira, e foi então que soube que não há lugar só para eles.
Mas foram bem, eu é que tive de adaptar as minhas pernas.
Correu bem, foi o mais importante.
Beijinhos
Têm sido dias de felicidade suprema. Muito muito grata por tanta felicidade
ResponderEliminarTêm sido dias de felicidade e muitos mais vai ter, Helena.
ResponderEliminarBeijinho
Deve ser para a Maria um final de tarefa bem cumprida.
ResponderEliminarFoi, sim.
ResponderEliminarObrigada.
Ainda bem que correu tudo bem na viagem. Nem quero imaginar se estivesse no seu lugar. Acho que o coração ia ficar muito apertadinho por os tirar da mãe, mesmo sabendo que iriam para uma família que os esperava ansiosamente e iria cuidar bem deles.
ResponderEliminarE ouvindo-os miar, então, assustados, pior. A minha vontade seria tirá-los da transportadora, e colocá-los ao colo. Mas depois ainda seria expulsa!
Agora é uma questão de hábito. Em poucos dias estarão adaptados à nova família e ao novo lar!
Marta, depois do banho da gatinha, tudo voltou ao normal.
ResponderEliminarOs gatinhos estão muito bem.
A gata mãe andou triste e não comeu nada no dia que os tirai dela, mas no dia seguinte, tudo voltou ao normal.
Vou enviar-lhe um vídeo que a H me forneceu dos agora seus gatinhos.
Beijinho
Olá, como entendo tudo isso, já passei por isso, alimentava uma gata de rua, teve 2 ninhadas em 4 meses, da 1ª ninhada nasceu 3 bebes, consegui arranjar adoptantes, da 2 ninhada também nasceram 3, morreram 2 fêmeas e ficou 1 macho, na 2 ninhada, a mãe gata foi coloca-los muito perto de mim, sei exactamente a data de nascimento, quando o único sobrevivente tinha 2 meses, tentei arranjar um adoptante, mas não consegui entrega-lo, está connosco desde que nasceu, a mãe gata consegui esterilizar e foi para a mesma família que tinha já adoptado uma das crias dela da 1ª ninhada, também está muito feliz, senti na altura que estava a traír a mãe gata, ela tinha confiado em mim para a ajudar, mas hoje sei que foi o melhor pois todos eles tem amor, comida e conforto de um lar.
ResponderEliminarFilomena