terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Descansa em paz, Lassie!

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É incrível como nos afeiçoamos aos animais, mesmo àqueles que nem sequer nos pertencem, mas com os quais acabamos por conviver no dia-a-dia, e que já fazem parte da nossa rotina.


 


A Lassie era a cadela mais velhinha da rua. Diz, quem se lembra dela desde pequena, que deveria estar perto dos 20 anos. As histórias que deveria ter para contar!


Eu lembro-me vagamente dela, há mais de uma década. Depois, houve uma fase em que ela não saía do seu quintal, raramente se via, e eu não estava tão ligada aos animais como hoje, por isso, não prestava muita atenção.


 


Até que, no ano passado, ela começou a vir até perto da minha porta, muito magrinha, negligenciada e com fome. Foi nessa altura que comecei a dar-lhe ração, e a observá-la com outros olhos. Estava, provavelmente, doente. O veterinário chegou a ir até à casa dos donos, para a ver. Andou uns tempos com funil e um penso na pata. Depois melhorou. Ultimamente, voltou a andar com o funil durante uns dias. Via-se que os donos estavam apenas à espera que a morte a levasse.


 


Foi das cadelas mais mansas e meigas que conheci. Gostava dela! Notava-se que já nem via bem, e tinha muitas vezes que a guiar até à comida que, a certa altura, já nem forças tinha para comer.


Nos últimos dias de 2017, e no início deste ano, comentei com a minha filha e o meu marido que achava estranho ela não aparecer, e passou-me pela cabeça que tivesse falecido, porque já não a via há vários dias.


Até que, na semana passada, a vi pela janela. Muito murcha, ainda mais magra e encolhida a tal ponto que, por momentos, me pareceu que lhe tinha sido amputada a pata. Mas foi apenas ilusão de óptica. Custou-me vê-la assim, mas fiquei aliviada por estar viva.


 


Hoje, recebi a notícia de que a Lassie partiu, não está mais entre nós...Acabou-se a dor e o sofrimento dela.


A Lassie não era minha, mas nem por isso deixei de ficar triste com esta notícia. Nem por isso deixamos de nos afeiçoar, e de sentir a sua perda.


Ainda tenho em casa um restinho da ração que lhe dava. E o que ela gostava de comer a ração dos gatos, e de lhes roubar a comida, quando a via no prato!


 


Por aqui, serás sempre lembrada e recordada com carinho...O carinho que te faltou, provavelmente, nesta última fase da tua vida...


Hoje, uma parte do meu coração está de luto por ti.


 


Descansa em paz, Lassie! 


 


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6 comentários:

  1. Coitadinha! Fico tão triste com a morte de um animal que me afeiçoo como de uma pessoa. Estava mesmo magrinha, mas depois com a comida parecia melhor!

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  2. Já fez o seu papel e muito bem aqui na terra a alegrar quem gostasse dela.

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  3. Recordo-me de teres falado nela. Custa sempre saber...ainda mais quando se convive e se sabe como ela era especial...

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  4. Para ela foi melhor.
    Andar cá nesta vida sabendo que esperavam a sua morte, que não havia uma casa quentinha para passar a sua velhice, um colo, uns mimos nestes derradeiros meses e dias.
    Um dia foi uma cadela muito alegre, brincalhona, matreira (no bom sentido). Hoje, era um animal triste, que se arrastava pelo tempo, à espera que chegasse a sua hora.

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  5. Os meus vizinhos diziam "ah e tal, ela anda é à procura de ossos. Mas a verdade é que ela comia a ração dos gatos, e a que lhe dávamos. Por vezes, 2 ou 3 vezes por dia. Havia alturas em que dizia "a dona já vai"! Quando ela não via a comida, lá ia eu ter com ela, e mostrar-lhe onde estava. Era impossível não me afeiçoar a ela!

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  6. Dei um pequeno contributo.
    É certo que a idade não perdoa, mas fico triste por a terem negligenciado a determinada altura.

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Feliz Páscoa