segunda-feira, 21 de março de 2016

Um dia na vida da Becas e da Amora

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Bem, talvez deva começar pelas noites...


Dormem as duas no nossa cama porque, parvos, fomos habituá-las a isso mesmo. E aqui fica um dos erros que nunca deveríamos ter cometido.


Como não conseguem estar juntas no mesmo espaço sem a Becas atacar a Amora, cada um de nós fica encarregado de dormir com uma delas e tomar conta para que não se cruzem.


Já podem imaginar o corropio que ocorre no tempo em que deveríamos dormir, quando elas se lembram de ir para o lado oposto da cama: é toma lá esta, segura aí aquela, tem cuidado, passa para cá a outra! E quando não têm sono, ainda querem brincar (e quando digo brincar refiro-me a morder e espetar as garras) com as nossas mãos, com as pernas e até com os pés.


A Amora consegue descer da cama, mas tento sempre colocá-la no chão para ir comer e à caixa. Depois, tenho que pegar nela porque subir não consegue. E há noites em que dorme em cima do meu pescoço, ou mesmo encostada à minha cara.


De manhã, quando nos levantamos, começa a guerra. A Amora já não quer ficar confinada a um quarto, quer sair, correr a casa toda, e estar na nossa companhia. A Becas, menos ainda, porque explora tudo e já conhece cantos que eu nem sonho, só quer é correr e gastar energia.


 


 


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Por isso, ou as deixamos uma em cada lado fechadas, ou as deixamos juntas para ver como reagem, e não fazemos mais nada senão andar atrás delas, vigiar, distraí-las quando os ânimos se exaltam, e separá-las quando se pegam a sério. Que é o que mais tem acontecido!


 


 


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A Becas é macaca, provocadora, atrevida. E a Amora, que também precisa de espaço e de ganhar confiança para brincar, acaba por estar quase sempre amedrontada, e sem vontade de brincar, porque a Becas toma conta de tudo.


 


 


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Se temos as portas abertas, a comida é outra guerra. A Becas não tem qualquer pudor em comer a comida da Amora, em utilizar a sua caixa e beber a sua água (mais do que a dela própria). Mas não acha piada nenhuma quando a Amora se serve da sua taça. Andam a picar-se uma à outra à conta disso.


Durante a semana, saímos para o trabalho/ escola, e fica a Amora no nosso quarto, e a Becas na cozinha e corredor e, ultimamente, no quarto da Inês. Não a deixamos na sala porque temos passado os últimos dias a limpar o xixi que insiste em lá fazer, no mesmo cantinho que a Tica um dia também escolheu. 


O tempo que temos é para vir a casa verificar se têm comida (são umas comilonas), e limpar as caixas que, ultimamente, estão sempre cheias de cocós e xixi's (parecem fábricas de produção de ambos).


A Becas, no início, quando a ensinámos a utilizar a caixa, e por ser nova, era um pouco trapalhona e, por vezes, pisava o cocó. Logo, tínhamos que ir logo limpar-lhe as patas.


A Amora, como tem o problema do equilíbrio, ainda cai mais facilmente, o que implica termos logo que pegar nela e limpar-lhe o corpo todo.


Este fim de semana, com mais tempo, temos deixado as duas mais tempo juntas, o que significa que temos o dobro do trabalho.


 


 


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Os únicos momentos em que acalmam e se dão bem, é quando estão com sono. Aí, dormem as duas no nosso colo, como se fossem as melhores amigas, enchendo-nos de esperança de um futuro sorridente, para minutos depois deitarem tudo por terra.


Não temos dormido muito, não temos tido tempo para mais nada senão para elas.


O meu marido sugeriu deixar uma na sala e outra na cozinha, durante a noite, nas caminhas que comprámos para cada uma delas, e fecharmos as portas dos quartos, para podermos descansar. Mas quem é que diz que conseguimos fazê-lo? Foram mal habituadas. E a casa é tão fria. Custa-nos deixá-las lá.


Se eu soubesse o que sei hoje, nunca tinha ido buscar uma segunda gata. Quis, por causa daquele sonho da Tica, e porque achava que a Becas não era ainda a gatinha que eu procurava. Outro erro. Nem a Becas nem a Amora, nem qualquer outra, porque quem eu queria era a Tica, claro! E não é pêra doce fazer com que dois gatos se dêem bem. Também não temos muito tempo livre para isso.


Se eu soubesse o que sei hoje, acho que não tinha ido sequer buscar uma outra gata. Não nesta altura. É por isso que muitas pessoas recomendam a quem perde um animal, esperar algum tempo antes de adoptar outro. Eu não estava preparada para tal. O meu pensamento continua a escapar-se para a Tica, as saudades apertam e ainda sinto aquele nó na garganta. Dava tudo para tê-la de volta.


 


 


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Mas, agora que estas duas gatinhas estão aqui, quem é que se consegue desfazer delas? Nós, não! Pais que são pais, ainda que adoptivos, não se desfazem dos filhos só porque lhes estão a dar trabalho, ou porque não se entendem com os irmãos, ainda que muitas vezes digam isso da boca para fora.


Quando chegamos ao final do dia e cada uma dorme para o seu lado, sinto-me como aquelas recém mamãs estafadas depois de um dia a tratar dos seus bebés.


 


 


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Propus-me a meta de um mês, para que elas se entendam definitivamente, e espero que em breve me possa rir de todo este alvoroço diário que agora estão a provocar. Se isso não acontecer, não sei como será, porque a Amora precisa de se sentir segura, precisa do seu espaço, de muitos mimos, de alguém que a incentive a brincar, e com a Becas a continuar como agora, não será possível.


 


 


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Quanto a brincadeiras, a Becas brinca com tudo o que apanha - cordas, bolinhas de papel, a bola dela, fios de lã, os ratitos que comprámos, sobe para todo o lado, explora tudo e todos os cantos onde couber.


 


 


 


 


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Já a Amora, gosta de brincar em cima da nossa cama a correr atrás da nossa mão, não liga muito à bola nem ao rato, mas também gosta da corda (quando a Becas não está por perto, senão fica só a ver) e do fio de lã. E gosta da Becas! Vai atrás da Becas para brincar com ela, mas a Becas atira-se logo, e ela retrai-se, com medo.


Por enquanto, é assim o nosso dia, na vida destas duas meninas!

13 comentários:

  1. Parece um relato de um infantário com crianças muito reguilas!

    A Amora deitada e a Becas em cima dela...gostei tanto dessa foto!

    Agora dão um pouco de trabalho e cuidados, mas elas ainda se vão dar bem, vais ver! Lembra-te daqueles gatinho de raça Sphynx, ao inicio não se davam bem, e agora já dão.

    Obrigada por teres aderido a esta ideia de "um dia na vida de um gato"!

    Miaujinhos do primo Riscas para as primas Becas e Amora

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  2. É mais ou menos isso!
    Mas a Amora gosta da Becas. Acho que, ao mesmo tempo que tem receio, também a admira. Ainda ontem estavam deitadas no meu colo, de rabo virado uma para a outra. Foi a Amora que se levantou e foi encostar-se à Becas!
    A Becas é que tem um feitio tramado.
    Miaus para o primo Riscas :)

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  3. Olá, Marta!
    Não será melhor habiatua-las já a usar a mesma caixa de areia e comedouros?
    Elas têm que aprender a conviver e dividir!

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  4. Olá Sofia!
    A veterinária disse para termos recipientes e caixas para cada uma, mesmo que depois utilizem as coisas uma da outra.

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  5. Vou ser sincera de gatos bebés não percebo, mas deve ser mais facil de quando já são crescidos! A Fénix e o Puma só se entenderam após duas semanas. Ele era um doce ela é que não gostava dele. Agora fazem mimos um ao outro, embora tenham os seus momentos de brincadeira mais acessa.

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  6. Olá, Marta.
    Adorei ler post da duas gatas, faz-me lembrar a Kat em bebé, que subia as minhas costas, fazia mil diabruras.
    Mas há uma coisa que nunca fiz: habituá-la a dormir comigo.
    Ela nunca quis a casota, escolhe os cantos para dormir.
    Todas as mantas de sofá que comprei para mim, é ela que as goza, pelo que dorme no sofá numa destas mantas.
    Raramente quer ir para a minha cama e quando vai, fica aos pés em cima do edredão, nunca debaixo dos lençóis (hoje de manhã cedo, depois de comer, foi para a cama e meteu-se entre o edredão e os lençóis) , o que me agrada porque posso dormir tranquila.
    Isto para dizer que seria melhor deixá-las dormir nas aconchegos dela, sei que custa, mas se puser mantinhas, elas acabam por ficar.
    É uma opinião, óbvio que a Marta sabe o que fazer, mas elas crescem , habituam-se ao calor humano e, como referiu, a Marta e marido acabam por não descansar o tempo que devem e têm direito.
    É preferível fazê-lo já, porque elas depressa se adaptam às novas situações e criam novos hábitos.
    Quanto ao convívio entre as duas, vai ser como diz, mais um mês e as coisas começam a entrar melhorar.
    Beijinho

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  7. Espero que sim. Está a ser um caminho de avanços e retrocessos. Podia ter sido como os gatos do pai e da madrasta da minha filha, assim que os juntaram, deram-se logo bem. Calha-nos sempre o mais difícil na rifa!
    Agora durante o dia, como o meu marido precisa mesmo de dormir, fica cada uma numa divisão. A Becas não vai para a cama dela, prefere as cadeiras da cozinha. Ou então, se apanha o quarto da minha filha aberto, enfia-se dentro da cama dela! No outro dia fartámo-nos de procurar, e sai ela de lá de dentro com uma grande lata :)
    De noite, como estou só eu com elas, ponho uma à frente e outra nas minhas costas. Têm dormido até de manhã mas, assim que toca o despertador, levantam-se logo e já não posso ficar na ronha!

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  8. Sempre tive casas de banho e comedouros para vários e já são 27 anos com gatos. Simplifica se não ficas . Lindas meninas. Daqui a uns meses já te esqueceste deste trabalho todo.
    E já agora a pior coisa que fizemos foi quando andámos a separar gatos que não se davam bem. Chega uma altura que não há volta a dar.

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  9. Eu também não, pelo menos assim tão pequenos :) A Tica era um pouquinho mais crescida quando veio lá para casa.
    Já sabia que seria um processo demorado e que é preciso calma e paciência, mas tinha aquela esperança de, à semelhança dos gatos do pai da minha filha e da madrasta, se dessem logo bem!
    A ideia era entreterem-se as duas e fazerem companhia enquanto estão sozinhas em casa. Neste momento, ou as mantemos separadas e mia uma para cada lado,ou não fazemos mais nada senão vigiar e separar.
    Pelo menos ontem à noite e hoje de manhã já as deixei algum tempo a entenderem-se (ou a tentar), e até dormiram juntas alguns minutos.

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  10. Queria dizer uma casa de banho e um comedor para vários. E em casa dos meus pais chegaram a ser 5 ao mesmo tempo.

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  11. Pois, acredito. Mas tenho algum receio pela Amora, devido às limitações dela (não consegue correr bem, não consegue saltar para sítios mais altos onde possa escapar, é mais pequenita ainda que a minorca Becas).
    Não quero chegar a casa e encontrar uma delas ou as duas feridas por as ter deixado juntas.
    Mas já as deixo mais tempo a conviverem enquanto estou em casa, sem interferir tanto, e a Amora já vai aprendendo com a Becas a dar uso aos dentes e aos pés!
    Eu neste momento tenho água e comida na cozinha para a Becas, no meu quarto para a Amora, e na sala para as duas. Depois, cada uma vai ao da outra. Mas quando está uma a comer e a outra se aproxima, a que lá está começa logo a "rosnar" e põe a pata na taça, para mais ninguém tocar.

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  12. Olá! São tão fofinhas!!!!! Passei por isso há pouco tempo. Uma semana depois já ficavam juntos, e agora é a pequena que manda no maior. Eh eh eh ofereça comida húmida para partilharem a mesma taça. Elas são pequeninas habituam-se depressa. Beijinhos

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O Rafael gosta de peluches